Comunicação de Governo: é preciso construir narrativas

Comunicação de Governo: construindo narrativas

comunicação de governo

Diz a história, que o então presidente do Brasil, Washington Luís, em agosto de 1928, ao inaugurar a Rio-Petrópolis, a primeira rodovia asfaltada do país, teria reafirmado o lema: governar é abrir estradas. Ou, segundo outras versões que citam comunicação de governo, governar é construir estradas. Pode até ser que, naquele começo de século 20, quando os caminhos brasileiros ainda eram todos de terra e lama, essa fosse a grande função de um governo para expandir o desenvolvimento social e econômico.

Passados 90 anos daquele agosto, a missão de governar, que sempre foi tarefa das mais complexas, alcança um grau de complexidade milhões de vezes maior do que os encarados pelos engenheiros e operários para escavar túneis na pedra a mais de cem metros de altura na Serra do Mar.

Governar pessoas agrupadas em classes com interesses muitas vezes antagônicos, sempre exigiu enorme domínio e habilidade na política, na economia, na sedução pessoal, nas relações sociais, culturais, religiosas, administrativas, orçamentárias, eleitorais, mas agora requer essa gestão quase impossível das relações de mídia.

Desde o começo do século 21, as novas tecnologias estão desmontando toda a hierarquia da comunicação e com isso, toda a tradicional hierarquia de poder e representatividade. Aquele processo que começava no fato, passava pela mensagem, pelo meio e encontrava o receptor sentado na poltrona apenas como um depósito de conteúdo, está totalmente revirado. Para o bem e para o mal.

Trazendo esse cenário para o Brasil, um dos países mais desiguais da Terra, a tarefa de governar uma cidade, um estado, o país, ou mesmo dirigir uma organização empresarial, coloca a gestão da comunicação de governo e social como tarefa fim e não mais como uma tarefa meio. De início é preciso entender que comunicar não pode ser mais só dizer, divulgar, informar. Comunicação social em tempo digital, tem que ser na mesma medida, ouvir, escutar, perceber, monitorar a vida, ou seja, dialogar, dialogar, dialogar.

Construir percepção positiva

Tão importante quanto construir estradas, escolas, esgotos e postos de saúde, é necessário construir um diálogo, entendendo esses novos meios, novas mecânicas, a relação com meios tradicionais, comunicação de governo, esses novos comportamentos, novas personas, as novas formas de consumo de comunicação e as novas formas de manifestação social e pessoal, quase sempre mais silenciosas do que uma passeata de 100 mil pessoas e muitas vezes mais influente e agitadora.

Por melhor que seja o volume de obras, serviços e programas humanitários de um governo, construir percepção positiva sobre este trabalho, exige um esforço no cotidiano da mídia muito maior do que o dispendido para fazer um túnel sob um rio. A área de comunicação do poder público não pode ter a pretensão de ser a grande fonte emissora de conteúdos. É preciso todo dia buscar a permissão das pessoas para conversar, entender suas dores, amores e enviar conteúdos relevantes para a vida dessas pessoas.

Comunicação de governo na era digital

Só assim se poderá romper a bolha e as armadilhas do desconhecido, formando influenciadores, disseminadores e compartilhadores da sua narrativa, seja nas redes sociais da web ou nas redes sociais dos botecos, escolas, igrejas e nos grupos família.

O mundo será cada vez mais um espaço feroz de disputas de narrativas falando de comunicação de governo. Um embate que envolve desde as grandes corporações de mídia ao mais anônimo cidadão do interior, onde talvez o sinal de internet seja muito precário. Tudo isso contaminado e turbinado por verdade, distorção, manipulação, emoção, sinceridade e ideologias.

Essa selva certamente é muito mais assustadora do que as serras e pedras que precisavam ser rasgadas para ligar a cidade do Rio de Janeiro a Petrópolis, mas precisa ser encarada com profissionalismo, automação, sensibilidade humana, vivências e talento, caso contrário as administrações públicas e privadas vão ficar patinando atoladas na areia movediça das novas mídias, novos conteúdos, novas linguagens, novos deuses, novas surpresas e viralizações deste admirável mundo novo.

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